Origem e formação das cavernas

Espeleologia é a ciência que tem por princípio a procura, exploração, observação e interpretação das cavernas com o objetivo de definir critérios para sua preservação. Pode oferecer ajuda a Paleontologia e à Arqueologia, na compreensão da existência de tipos de vidas animais e humanas primitivas. As grutas e abrigos-sob-rocha constituem um patrimônio de valor científico e cultural, sendo que algumas grutas já possuem importância nacional e integram o acervo da humanidade.

A origem das cavernas ainda é uma questão controvertida. É provável que numerosas cavernas tenham sido originadas pela dissolução e abrasão causada pelos movimentos das águas subterrâneas, enquanto outras surgiram por causa dos desmoronamentos de partes do teto ou pelo abatimento de assoalhos que recobriram galerias inferiores. Outra possibilidade é o surgimento que ocorre ao nível do lençol freático ou abaixo dele.

A água penetra no calcário através das fraturas e depressões e, se ainda contém dióxido de carbono em quantidades suficientes, vai dissolvendo a rocha em sua percolação. O movimento da água nos calcários é controlado pelas variações litológicas e pelas linhas de falha e de fratura. A respeito da circulação da água subterrânea, pode-se distinguir duas zonas: na zona superior, ou zona vadosa, a água circula livremente e de modo rápido, e, na inferior, ou zona freática, a água circula sob pressão hidrostática e todas as fissuras e juntas estão preenchidas. Em ambas as zonas, a água tende a coletar-se em canais bem definidos e a movimentar-se como um sistema subterrâneo. A solução e a abrasão são os processos básicos na formação de cavernas.

Conceitos

Carste - tipo de paisagem criada pela água quando a chuva ou os rios recebem substâncias químicas presentes no ar ou em solos cobertos por vegetação abundante. Estas águas então adquirem a capacidade de dissolver lentamente determinados tipos de rochas, como o calcário, formando cavernas, rios subterrâneos.

Cavernas - uma caverna pode ser definida como um leito natural subterrâneo e vazio, podendo se estender vertical ou horizontalmente e apresentar um ou mais níveis. São formadas quando os rios subterrâneos começam a dissolver e escavar a rocha. Com o passar do tempo, as cavernas vão se alargando, chegando a formar salões altos. Os rios subterrâneos são de grande importância no transporte de alimentos para os seres vivos que ali habitam, mas os rios também transportam sedimentos como areia e argila que formam o solo das cavernas. Existem dentro das cavernas um entremeado de câmaras e passagens estreitas. Todas as formas de acumulação encontradas nas cavernas recebem o nome genérico de travertino.

Espeleotemas - são formações minerais que ocorrem em cavernas, a exemplo das estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, entre outras. Apresentam cores, formas e dimensões que dependem da morfologia de cada gruta, do tipo de mineral depositado e do mecanismo de deposição.

Estalactites e estalagmites - são dois tipos de espeleotemas. O principal mineral formador desses e de outros espeleotemas é a calcita. As estalactites e estalagmites formam-se pelo gotejamento de água saturada em calcita, ao longo de sua infiltração em rochas calcárias. A estalactite forma-se do teto para baixo, pela superposição de anéis de calcita. E a estalagmite "cresce" do piso da caverna para cima, bem embaixo da estalactite, a partir do gotejamento de água saturada em calcita que se precipita da estalactite. Quando a estalactite se junta com a estalagmite, forma-se um outro espeleotema chamado coluna. A velocidade de crescimento das estalactites varia entre 0,01mm a 3mm por ano.

Cascatas - a água ao escorrer pela parede rochosa da gruta, vai depositando calcita durante seu percurso descendente. Tais depósitos são denominados cascatas, devido a sua forma e cor, geralmente alvíssima. Essas superfícies normalmente são lisas. Constituem um depósito uniforme da parede até o chão da gruta; porém, em alguns casos, pode terminar por estalactites formadas a partir das bordas, dando um aspecto semelhante ao de um órgão.

Vida nas cavernas

Apresentando mais de 600 espécies já classificadas, a fauna cavernícola do Brasil é a mais rica da América do Sul.

As cavernas têm ambientes muito diferenciados dos do meio externo, caracterizados pela ausência de luz e de vegetação superior, pela pequena variação de umidade e temperatura e pela composição química do ar e da água. Cada caverna pode apresentar diferentes hábitats como lagos e rios, bancos de argila, depósitos de guano de morcego, e diferentes zonas ecológicas em função da maior ou menor distância de entrada.

No ambiente cavernícola, encontra-se uma fauna muito característica, adaptada a essas condições ambientais. Alguns animais utilizam o abrigo das cavernas para sua reprodução ou para seu esconderijo e outros animais são habitantes das cavernas. Esses animais podem ser classificados em três grupos principais:

Troglóbios: animais exclusivos das cavernas, que geralmente apresentam adaptações fisiológicas, comportamentais e morfológicas (despigmentação, atrofia dos olhos, etc.). Peixes, crustáceos e insetos, por exemplo, são comuns entre as espécies já identificadas.

Troglófilos: espécies adaptadas ecologicamente às cavernas, mas que não apresentam especializações que impeçam seu desenvolvimento também no ambiente externo. Crustáceos, aranhas, opiliões e insetos são comuns entre os troglófilos brasileiros.

Trogloxenos: animais de superfície que utilizam as cavernas como abrigo, refúgio, local de alimentação ou reprodução. Dentre os trogloxenos, destacam-se os morcegos, que saem diariamente da caverna para se alimentarem.

Cuidados em cavernas

Para sua segurança e para a preservação das cavernas, são necessários alguns cuidados fundamentais durante a visitação.

  • Fique atento para não pisar em espeleotemas, quebrá-los ou esfumaçá-los com o capacete.

  • Não retire ou quebre nada nas cavernas, tomando cuidado especial com as formações.

  • Não use bebida alcoólica no interior da caverna.

  • Não fume no interior da caverna, pois a fumaça é prejudicial a este delicado ambiente.

  • Respeite a fauna cavernícola, apenas observando-a.

  • Nunca entre em cavernas desacompanhado, procure sempre a ajuda de um guia ou pessoa experiente.

  • Mantenha a caverna limpa. Traga de volta todo o seu lixo (orgânico ou inorgânico), apanhe também o lixo que encontrar pelo caminho e deposite-o nos latões no exterior das cavernas.

  • Conheça as técnicas básicas de navegação, primeiros socorros e alpinismo. As cavernas apresentam obstáculos naturais. Não se arrisque, assim como não exponha pessoas inexperientes e sem preparo físico a situações de risco.

  • Caso você se perca, não entre em pânico. Fique parado e aguarde auxílio. O resgate só será possível se você tiver informado seu roteiro ao guia de plantão, nos postos dos guias (quiosques e casas de guias) através da Ficha de Visitação. No caso de cavernas fora dos centros de visitação avise sempre alguém do local sobre seu destino.

  • Informe-se sobre os regulamentos do local a ser visitado.

  • Planeje sempre o roteiro que pretende fazer com detalhes.

  • Se nunca visitou o local procure saber detalhes com pessoas experientes antes de iniciar o percurso.

  • Calcule o tempo que pretende ficar no interior da caverna.

  • Selecione e prepare com antecedência todo equipamento que pretende levar.